Eu e Nicolas assistindo Star Wars - Episódio IV

Papai, você viu Star Wars no cinema?

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Star Wars - Episódio IHoje passou o filme Star Wars a ameaça fantasma na TV.

Lembrei que foi o último filme que assisti antes do Nicolas nascer.

Depois disso foram 7 anos até pisar num cinema outra vez.

Falta de dinheiro, tempo e medo.

Medo sim!

Até os 5 anos do Nick tudo era incerto,

desconhecido,

assustador.

Me tranquei, me fechei, desisti das pessoas.

Todas olhavam para ele como um ponto de interrogação.

E sofremos,

nos fechamos ainda mais.

Somente depois das terapias dele,

e da nossa também,

o céu voltou a clarear,

mas confesso que ainda dói.

Sou ressentido,

amargurado,

desconfiado.

Acho que ninguém o compreende,

e pior,

acho que ninguém o merece.

E isso dói.

É triste ver outras crianças de mãos dadas com os seus avós pegando o “solzinho da manhã”

e o Nicolas não!

Me cansa ele receber presentes de pessoas com a dúvida estampada em seus rostos!

Me chateio com quem não enxerga o Nicolas.

E isso é tão freqüente que sobrou até mesmo para a Analice.

Nem ela que não tem nenhuma síndrome recebe  a atenção que devia.

Nenhum relacionamento maior senão o de nós, seus pais.

E choro,

tenho pesadelos,

pensamentos ruins,

tristes,

ranzinzas.

Então as palavras da nossa terapeuta ecoam na minha cabeça:

“Não é possível forçar um relacionamento. Se não acontece, é porque não existe.”

E aí o meu coração se acalma, mas o sentimento não extingue.

Eu e Nicolas assistindo Star Wars - Episódio IV

Quero mudar,

crescer,

quero deixar esse sentimento ir.

Aceitar que quem não entende o Nicolas pode ser que jamais o entenda.

Mas é tão difícil não aceitar que alguém possa não amá-lo.

Então olho para a sala da minha casa,

no sofá,

Nicolas coloca uma mídia no DVD player e me pergunta:

Papai, você viu Star Wars no cinema?

23 thoughts on “Papai, você viu Star Wars no cinema?

  1. Entendo você perfeitamente. Às vezes essa revolta bate tão, tão forte, que dá vontade de socar o primeiro que olha atravessado para o Eric. Mas agora, liguei o F…. E digo, sinceramente, F… pra que não entende meu bb. Ligue o F.. de vez em quando. Faz muito bem!!

  2. Filho é a melhor coisa desse mundo, mas junto com as alegrias vem essa sensação paralisante de que eles possam sofrer vítimas de algum preconceito ou desamor, mas no fundo acho que o que realmente conta é o amor que, como pais, dedicamos a eles, acho que é capaz de superar qualquer coisa.

    Um belo desabafo, super normal teus sentimentos, afinal os filhos sempre serão nosso calcanhar de Aquiles e como pais sempre vamos travar todas as batalhas por eles.

  3. Cris, eu costumo dizer que a mim só importa o que aqueles que gostam de mim pensem. O Nicolas e seus amigos gostam de voce e dele. É nesse círculo – em tempos de Google+ -, que você deve inserir o Nicolas. Isso você já faz e com méritos.
    Força e continue sendo esse gigante pai que você é.
    Abração.

  4. Quando vejo você falar de filho especial, às vezes me sinto como mãe especial, afinal brinquei muitas vezes de ser sua mãe, certo. E este depoimento registro com este sentimento de mãe (não de tia). Então meu filho eu quero te trazer uma reflexão sobre o RE-SENTIMENTO. Que literalmente significa “sentir outra vez” e que se perputou no significado de trazer um sentimento ruim de volta. Veja que não pensamos em sentimentos bons quando falamos de ressentimentos!!! Tratamos os sentimentos bons como “memórias” (algo no passado), coisas que nos trazem saudade (outra vez passado). Contudo os RE-SENTIMENTOS trazem aquela dor lááááá de outros tempos para o AGORA! É uma capacidade tola esta do ser humano que deixa no passado o que é bom e traz para o agora o que não é bom! Então meu filho, te digo de coração RE-SENTIMENTO não vale à pena, não é sábio! Não te peço para esquecer! Apenas deixe a mágoa e a dor no tempo adequado, isto é, no passado. Como uma memória e por não ser boa, sem saudade!!!!! Te amo.

  5. Emoção pura! Só de olhar a foto, já amei o Nicolas e não compreenderia alguém que não pudesse ama-lo. Mas confesso, até chegar até aqui neste blog, não sabia nada sobre Asperger. Continuo não sabendo, mas vou me informar, tenha certeza. Tenho esclerose múltipla e sei o quanto a desinformação contribui para esse olhar de estranhamento e o preconceito.

    Abraços.

  6. Coisa mais linda e verdadeira de se ver! Sou uma mãe especial e a sua dor é minha e de muitas outras tb. Teria muito a dizer sobre o assunto, é incansável. A dimensão do amor que sentimos por eles, mas em contrapartida a sensação de impotência diante de um mundo tão preconceituoso e cego para a deficiência, é o que mais dói. A ‘diferença’ que eles tem não são a verdadeira dor. Mas sim as dificuldades da falta de educação, ignorância e respeito externas.

    P.S- Tô emocionada com o depoimento da Shirley aí em cima. =))

  7. Nunca deixamos de fazer nada porque Lu é autista e é diferente das demais crianças. Até hoje algumas crianças riem dele, muitas não querem brincar, muitas não o atendem no telefone.. etc etc.. ficamos tristes? Sim, as vezes até com raiva dessas crianças e de seus pais pois isso aocntece até na nossa família: preconceito. Mas mesmo assim a gente sai com ele, brinca de tudo, tenta inventar brincadeiras que encaixe outras crianças que o entendam, etc… assim vamos vivendo felizes, mostrando que a amizade especial é sincera e duraroura e Lu é um privilegiado, tem a sua volta os que o amam e com seu charme e carisma, conquista, cada dia mais, suas amizades.

  8. Olá! Gostei muito do seu blog e dos seus depoimentos. Me identifiquei, pois sou psicóloga e além de já ter atendido crianças com Asperger e Autismo, fiz minha monografia da pós graduação no assunto. Se eu puder ajudar em algo, não sou expert no assunto, mas estudei bastante e ficarei muito feliz se puder contribuir com algo!
    Beijos
    MaH

  9. Entendo tudo o que sente porque já senti e as vezes ainda sou obrigada a engolir isso mas se trancar é ser derrotado pelas coisas ruins que o autismo traz… é se aliar ao comportamento negativo de se isolar… Devemos viver, doa a quem doer, sentir e explorar o mundo para retirarmos aprendizados, prazeres, etc. O autismo traz muitas coisas boas tbm como amizades sinceras, máscaras que caem, a gente melhora… será que no passado olhamos torto pra alguém? Hoje somos melhores devido aos meninos que nos fazem sentir na pela o quanto a diferença agrega. Força! Viva o mundo e as emoções porque isso é VIVER! Tem gente que olha torto simplismente por desconhecer o que se passa, acha curioso… beijos

  10. Queridos Pais!!!

    Eu e minha familia sabemos perfeitamente a dor do preconceito, é algo avasalador, só quem vive e viveu sabe do que to falando.
    Chegou um dia que resolvi virar a mesa, falei para todos que faziam parte de minha familia e amigos que tinha sim um filho homossexual, e que não tinha culpa por isso, mas que a partir daquele momento quem se sentisse incomodado poderia se afastar de meu circulo de amigos, queremos apenas os amigos verdadeiros, os outros não precisam fazer de conta que são.
    Foi a melhor coisa que fiz em minha vida, cansei de ver cuxixo, será que ele é…. ela não vê…. cansei, agora me sinto leve e solta, quem não compreende que AMAMOS profundamente nosso filho, pelo seu carater, pela pessoa maravilhosa que é, não precisa fazer de conta… queremos somente pessoas que aceitam nossa familia como ela é, pois somos felizes com nosso filho, o amamos eternamente, incondicionalmente.
    Dane-se as pessoas que não são digna de amar o diferente!! Por isso entendemos o sentimento de pais com filhos especiais.
    Seu filho sempre será grata pelo amor que recebe, vale a pena mostrar isso para ele e para os que nos rodeiam.

  11. Olá Mari,
    o assunto é realmente infinito. Mas acredito que quanto mais falarmos aqui, mais esclarecimento e menos preconceito!
    Obrigado pelo seu comentário.

    P.S.: recado de tia é sempre bom né!? 😉

  12. Karla,
    eu lembro de quando eu era casado e não tinha filhos e os meus cunhados saiam de casa às 3h da manhã com o seu filho (Adriano) para fazer nebulização numa época que não vendia para as pessoas comuns e só tinha em hospitais. Durante toda a infância desse meu sobrinho eu fiquei alheio à essa dificuldade deles, e só depois que tive o meu filho é que pude entender o porquê de tantas olheiras deles. O que falta realmente no mundo é esclarecimento, mas chegaremos lá!
    Beijos em Lu e obrigado pelo comentário!

  13. Oi Ines,
    Nelson Mandela, fez do preconceito a sua maior arma contra o preconceito.
    É importante seguirmos o exemplo dele em nossas vidas!
    Obrigado pelo contato!

  14. Dói muito mesmo! Não sei se sou fraco, me preocupo com o futuro do Angelo. Tudo é escuro, aquela ânsia no peito. Mas não devemos esmorecer, não devemos nos esconder. Aqueles olhares de preconceito … Entendo teu desabafo, mas vc não está sozinho …

  15. Eu consigo enterder com perfeição seu sentimento. Tenho 2 filho, sendo que meu caçula foi recentemente diagnosticado portador de Síndrome de Asperger. Sei como essa dificuldade de socialização nos abala. Também tenh pesadelos, tristezas e muitas angústias. Mais tenho principalmente, muito amor e esperança de dias melhores, de um mundo melhor para nossos filhos.

  16. olá,seu filho é um menino especial ao olhos da natureza e do nosso planeta,não fique com pensamentos negativos e não se preucupe com oque as pessoas vão pensar.pois seu filho é um menino cristal a maioria das crianças nascidas apartir do ano 2000 são cristal,elas estão preparadas para oque vai acontecer com a humanidade,esta crianças são cheias de amor e inteligencia para nos ensinar a lidar com que está por vir.não fique preucupado pois as coisas tomarão seu curso normalmente.

  17. Gostei muito desse blog.
    Olá, tbm tenho uma filha especial, e as vezes tbm me sinto assim, mas me lembro que Deus colocou-a na minha vida, não para que eu a ensinasse, mas sim, para que ela me ensinasse oque realmente vale na vida!!!!!!!!! abraços
    Feliz 2012!!!!!!!!!!!!!!!

  18. Gostei muito desse blog.
    Olá, também tenho um filho especial, e as vezes também me sinto assim, mas me lembro que DEUS existe e colocou na minha vida, não para que eu o ensinasse, mas sim, para que ele me ensinasse oque realmente vale na vida !!!!!!!!!
    Abraço.

  19. Pai do Nicolas, não sou mãe, sou tia de um ser que veio para ensinar a minha família a entender outras mentes além das ditas ‘normais’. Sou tia do Leandro, um menininho de 7 anos que mora em um reino tão, tão distante, no sertão mineiro, sem acesso a fonaudiólogas, nutricionistas, terapeutas, escolas e professores preparados. A minha vive uma guerra diária. O Leandro é uma mente que aprende por imagem e não por fala, tem um talento ímpar para lógica/matemática e idiomas. Aprendeu a ler sozinho aos 4 anos de idade. Ao 5 anos fazia contas de mais de 3 dígitos, como somar todas as placas dos carros estacionados de uma lado e do outro da rua, anda aprendendo inglês numa velocidade fenomenal (sozinho) e joga xadrez como poucos adultos fazem. Ah, sem falar que é imbatível na velocidade para montar quebra-cabeças gigantes…são tantos talentos…mas ao mesmo tempo, vive e precisa de rotinas, não reage nada bem a mudanças e lugares e muito menos entende e reage ao contexto e pessoas como as pessoas ditas ‘normais’fazem. Um exercício de humildade e aceitação diária. Não por ele ser ‘especial’mas por nós, pais, avós e tias termos dificuldade em entendermos esta alma tão genial e incomparável que nos foi dada de presente há 7 anos.

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